Árvores amadas e odiadas em simultâneo

eucalipto    No que toca à plantação ou replantação das florestas no território nacional, o eucalipto é grandioso e dominante.

    O novo regime legal que entrou em vigor em Outubro de 2013, passou a considerar os eucaliptos como qualquer outra espécie florestal. Por exemplo no período entre 17 de Outubro e 31 de Dezembro de 2013, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) recebeu 193 pedidos de autorização e 175 comunicações prévias, para ações que cobriam, no total, 2626 hectares. Como seria de esperar a esmagadora maioria desta área refere-se a intenções de plantar eucaliptos (92%). Do restante, metade refere-se a áreas de pinheiro-manso e o resto está repartido entre diversas outras espécies.   Esta nova lei tem sido tem sido fortemente contestada, por alegadamente facilitar a expansão dos eucaliptos.

   O pinheiro-bravo que dominava a área de floresta portuguesa caiu 27% entre 1995 e 2010 e a espécie ocupa agora a terceira posição, abaixo dos eucaliptos e dos sobreiros. Esta espécie é agora dizimada pelos fogos e por uma praga florestal (o nemátodo) notando-se claramente o desinteresse para exploração. Mais sucesso está a ter o pinheiro-manso, a segunda espécie mais importante nos pedidos de autorização ou comunicações prévias – 4% da área total. O interesse crescente pelo pinheiro-manso já estava identificado no Inventário Florestal, que regista uma subida de 54% na área ocupada, entre 1995 e 2010.

    O eucalipto é grandioso, consegue ser amado e odiado em simultâneo.

    É amado pela economia nacional e global porque produz madeira de boa qualidade e com um crescimento rápido, papel, óleos essenciais ou biocombustíveis. Encontra-se em plantações industriais em mais de 100 países, numa área superior a 20 milhões de hectares (área de quase duas Angolas). Em Portugal, o eucalipto ocupa um lugar de destaque na economia, uma vez que o país é o quarto maior produtor mundial de papel, contribuindo o sector do papel e do cartão para 4% do produto interno bruto.

    É odiado porque há mais de duas décadas que a espécie é vista por muitos como um perigo, pelos riscos de elevado consumo de água, erosão dos solos, uma monocultura florestal com pouco potencial em termos de biodiversidade, por ser  invasor e substituir as espécies vegetais nativas.    

    Os entendidos na matéria dizem que um projeto que possa ser considerado um “BOM” projeto, pode prevenir algumas das partes pelas quais esta árvore é odiada.

    A Freguesia de Enxames não se desvia da tendência global e na próxima sessão ordinária da assembleia de freguesia, que se realiza no dia 28 de Junho pelas 20 horas, um dos pontos a debater será a situação do projeto de reflorestação apresentado pela empresa Altri Florestal S.A. que parece ter na freguesia atualmente alguns hectares de terreno com mata desordenada e por limpar.

    Esta sessão ordinária será uma boa oportunidade para ficar a par do assunto em primeira mão. Aproveite e partilhe!

 


Fontes:

http://jf-enxames.com/assembleia/content/actas/acta_14.pdf (pág. 3)

http://www.publico.pt/economia/noticia/eucaliptos-dominam-pedidos-ao-abrigo-da-nova-lei-de-arborizacao-1620997

http://www.publico.pt/ecosfera/noticia/decretolei-n%C2%BA-962013-um-erro-historico-so-comparavel-a-campanha-do-trigo-1615800

http://www.publico.pt/ciencia/noticia/suspensa-certificacao-florestal-em-82-mil-hectares-de-eucalipto-em-portugal-1506174

http://www.icnf.pt/

 http://www.altri.pt/

 

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